Ergotrofi é a integração de trabalho mecânico (ergon) e nutrição (trophe): o músculo precisa de estímulo E substrato, simultaneamente, para reconstruir.
O problema que o método resolve
A fisioterapia convencional trata o movimento e ignora o ambiente metabólico que decide se a recuperação vai acontecer. Um músculo treinado sem substrato adequado produz fadiga, não reconstrução. Um corpo com inflamação crônica, déficit proteico ou micronutrientes insuficientes não responde ao exercício — por melhor que seja o protocolo motor.
A Metodologia Ergotrofi corrige isso ao investigar e tratar, de forma obrigatória, as condições internas que sabotam a reabilitação.
Avaliação em 5 camadas
Toda prescrição é precedida por uma avaliação estruturada e sequencial. Nenhuma camada pode ser omitida — cada uma gera dados que alimentam a seguinte.
Clínico-anamnéstica
História clínica, funcional, nutricional e psicossocial. Identifica red flags e ativa precauções de exercício.
Bioquímica e laboratorial
HbA1c, HOMA-IR, PCR-us, vitamina D, B12, hemograma, TSH, perfil lipídico. O que define se o músculo vai responder.
Funcional e biomecânica
Dinamômetro Jamar (protocolo Southampton), teste de 4 metros, 5× sentar-levantar, TUG. Define carga inicial e risco de queda.
Composição corporal
Massa magra apendicular, gordura visceral, hidratação: bioimpedância tetrapolar ou DEXA. Critério EWGSOP2 para sarcopenia.
Comportamental e estilo de vida
Adesão, barreiras, sono, estresse, relação com alimentação. Define a estratégia educacional e de adesão.
Progressão por Blocos, não por calendário
O paciente permanece em um Bloco até atingir critérios objetivos de progressão — independentemente do tempo transcorrido.
- Bloco A — Estabilização: controle inflamatório e metabólico. Sem progressão de carga até estabilização documentada.
- Bloco B — Ativação mecânica: captação de glicose via GLUT4, síntese proteica via mTORC1, exercício resistido com progressão de carga.
- Bloco C — Consolidação: potência, transferência para atividades diárias e autonomia, com monitoramento do IFM₀₉₀.
A Regra de Sincronia
O aporte proteico acima da prescrição basal é prescrito exclusivamente nos dias com estímulo mecânico programado. A síntese proteica muscular é ativada pelo exercício resistido por até 24–48 horas; a oferta de aminoácidos potencializa o eixo mTORC1 apenas quando há sinalização mecânica prévia. Sem esse sinal, alto aporte proteico é substrato sem demanda contrátil correspondente.
Critério de alta: IFM₀₉₀
O Índice Funcional-Metabólico integra os domínios avaliados nas 5 camadas. A alta acontece somente quando o IFM₀₉₀ atinge 90 pontos ou mais, com todos os domínios individuais acima de 60% do máximo, confirmado em reavaliação e com laudo clínico emitido. Número real, documento clínico, sem estimativa de tempo.
Perguntas frequentes
Vem do grego ergon (trabalho, estímulo mecânico) e trophe (nutrição, substrato). O nome é a tese clínica: o músculo precisa de trabalho e nutrição ao mesmo tempo para reconstruir — é o antídoto etimológico da atrofia.
O foco são os três eixos do Trio de Ferro: diabetes tipo 2, sarcopenia e obesidade sarcopênica, e síndrome metabólica pós-bariátrica tardia. São condições em que o ambiente metabólico interno impede a recuperação muscular.
Não há tempo fixo. A progressão entre Blocos depende de critérios objetivos, e a alta depende do IFM₀₉₀. O método não promete tempo — promete critério de alta mensurável e documentado.
A avaliação bioquímica é parte obrigatória do método. Caso não possua exames recentes, o painel laboratorial padrão da Metodologia Ergotrofi é orientado antes do início do protocolo.
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